Maria
Quitéria de Jesus Medeiros |
Heroína
das guerras pela independência do Brasil: 1792(?) - 1853(?)
QUANDO TUDO ACONTECEU...
1792
: Ano provável do nascimento de Maria Quitéria de Jesus Medeiros
na Comarca de Nossa Senhora do Rosário do Porto de Cachoeira
(Feira de Santana), Bahia, Brasil.
1807 : Primeira invasão francesa em Portugal, comandada
por Junot; em fuga, a família real e a corte portuguesa embarcam
para o Brasil.
1808 : O príncipe-regente (futuro D. João VI) decreta
a abertura dos portos brasileiros a todas as nações amigas.
1816 : D. João VI eleva o Brasil à condição de Reino
Unido ao de Portugal; o Brasil deixa, portanto, de ser uma
colônia.
1820 : Revolução liberal no Porto e levantamento em
Lisboa. Estes acontecimentos refletem-se no Brasil, cindindo
a sociedade em dois blocos inconciliáveis: um é integrado
por portugueses e brasileiros constitucionalistas, também
por brasileiros independentistas; outro é integrado por militares
e dignitários portugueses, conservadores que ambicionam ver
o Brasil regredir à condição de colônia.
1821 : Em 26 de Abril D. João VI regressa a Portugal,
onde os revolucionários liberais exigem a sua presença; no
Rio de Janeiro, como príncipe-regente, fica o seu filho D.
Pedro.
1822 : Disfarçada de homem, Maria Quitéria alista-se
como soldado voluntário. Em Julho, uma canhoneira portuguesa,
fundeada na barra do Paraguaçu, alveja a cidade de Cachoeira,
reduto dos independentistas baianos. D. João VI exige que
o filho regresse imediatamente a Portugal; contrariando as
ordens do pai, D. Pedro fica e a 7 de Setembro dá o chamado
grito do Ipiranga, Independência ou Morte! A 12 de Outubro
é aclamado Imperador do Brasil, com o título de D. Pedro I.
1823 : A 2 de Julho, na Bahia, as forças independentistas
batem definitivamente as tropas portuguesas comandadas pelo
general Madeira de Melo. Maria Quitéria é a mais louvada heroína
destas guerras pela independência do Brasil.
1825 : Por mediação da Inglaterra, a 29 de Agosto Portugal
reconhece oficialmente a independência do Brasil.
1853 (?): Maria Quitéria morre nas imediações de Salvador.
EU GOSTARIA DE ENTRAR NUA NO RIO...
Eu gostaria de entrar nua no rio, caso estivesse no sítio
do meu pai. Mas estou aquientre homens, somos todos soldados,
e o banho no Paraguaçu é forçado. Os portugueses de uma canhoneira
bombardearam Cachoeira, então um bando de Periquitos, e entre
eles eu e mais cinco ou seis mulheres, entramos no rio, de
culote, bota e perneira, dólmen abotoado e baioneta calada.
Queríamos que os agressores desembarcassem para o combate
em água rasa da margem. E eles vieram, aos brados. Traziam
armas brancas. Alguns as mordiam com os dentes. O encontro
deu-se num banco de areia, com água pela cintura. Senti quando
a água fria subiu pelas pernas, abraçou as coxas e espalhou-se
pelas virilhas. Um toque frio, desagradável. Com o calor da
luta, tornou-se morno. E houve um instante em que eu tinha
água pelos seios. Senti que os mamilos se enrijeciam sob a
túnica. Pensei outra vez no sítio, na rede em que costumava
embalar-me. Ali tudo era cálido, os panos convidavam ao sono.
Aqui, luta-se pela vida, pela nossa Cachoeira, pela Pátria.
Mas uma voz secreta me sopra que também luto por mim. Estou
guerreando, sim, para libertar Maria Quitéria de Jesus Medeiros
da tirania paterna, dos sofridos afazeres domésticos, da vida
insossa. Ah, eu combato, com água no nível dos peitos, pela
libertação da Mulher, pela nova Mulher que haverá de surgir.
Minha baioneta rasga o ventre de um português que não quer
reconhecer a Independência do Brasil gritada, lá no Sul, pelo
Imperador D. Pedro.
MENINA LEVADA
As Meras ou Parcas, entidades da mitologia greco-romana responsáveis
pelo Destino, foram caprichosas com Maria Quitéria: teceram-lhe
a vida em duas metades bem distintas. A primeira, clara e
solar, cobre o período da infância e adolescência; a outra,
obscura e trágica, começa no seu retorno da Corte, após a
condecoração que lhe concede o Imperador Pedro I, por sua
participação e bravura nas lutas da Independência da Bahia,
que consolidaram a Independência do Brasil. Infância mais
ou menos feliz, marcada pelas correrias, caçadas de bodoque
aos pássaros, cavalgadas em animais em pelo, no Sítio do Licorizeiro,
perto de São José das Itapororocas, então pertencente à Comarca
de Nossa Senhora do Rosário do Porto de Cachoeira, e em 1832
desmembrada para Feira de Santana. Maria Quitéria nasce, provavelmente,
em 1792. A casa era pequena, mas a planície larga convidava
ao movimento do corpo instigado pelas maquinações do imaginário.
Uma das três Parcas decidiu enredar-lhe
logo os fios da vida. A morte da mãe, que se chamava Quitéria
Maria, em 1803, vem tolher a vida despreocupada e folgazã
da menina, forçando-a a cuidar dos dois irmãos menores. O
pai, Gonçalo Alves de Almeida, leva apenas cinco meses antes
de convolar núpcias com Eugênia Maria dos Santos, que não
lhe dá filhos e falece pouco depois. Com esta primeira madrasta
Maria Quitéria não teve tempo de gerar atritos. Mas o terceiro
casamento de Gonçalo, com Maria Rosa de Brito, cria tensões
e hostilidades, porque a nova madrasta pretende opor um freio
à vida independente da menina endiabrada e, ao mesmo tempo,
acentuar-lhe a noção dos deveres domésticos. O pai forma segunda
prole, mais numerosa, e a uma de suas meio-irmãs, Teresa Maria,
a futura heroína do 2 de Julho baiano haverá de afeiçoar-se.O
lavrador Gonçalo prospera; não é de todo rude e destrambelhado.
Muda-se para uma fazenda a Serra da Agulha, mais ampla, com
uma casa-grande e terras mais produtivas. Cultiva algodão,
cria gado. Mas a vida continua isolada, sua rotina só vem
a ser quebrada pela passagem de viajantes ocasionais e conversas
de tropeiros, a feira semanal, os passeios pelos campos, as
missas. Admiradores masculinos, Maria tem muitos, porém não
vê futuro nos compromissos insinuados.
O SOLDADO MEDEIROS
Pelos tropeiros chegam-lhe notícias do levante de Cachoeira,
a Heróica, contra provocações de tropas portuguesas, a partir,
sobretudo, do incidente com uma canhoneira que, fundeada na
barra do Paraguaçu, alvejou a cidade. Emissários percorrem
o sertão da Bahia à procura de voluntários e contribuições
financeiras. Contra a vontade paterna, Maria Quitéria sai
de casa e, em roupas de homem, cedidas pelo cunhado José Cordeiro
de Medeiros, marido de Teresa Maria, alcança Cachoeira, alista-se
num regimento de artilharia e passa em seguida à infantaria.
Ali, no Batalhão dos Voluntários do Imperador, também chamado
Periquitos, e onde está, por sinal, um avô do poeta Castro
Alves, o major José Antônio da Silva Castro, o pai de Quitéria
vai descobri-la como que por acaso - mas não a convence a
voltar para casa. Mulher feita, legalmente emancipada, sabendo
bem o que quer, Maria Quitéria consome-se de amor pela Pátria
prestes a nascer. Assumindo a sua condição feminina, livra-se,
por fim, dos constrangimentos da simulação. É, doravante,
o soldado Medeiros, nome com que se apresentara à tropa. Os
milicianos, a princípio ousados, aprendem a respeitá-la. Por
baixo, aquele soldado de voz macia veste saias, mas é homem,
na coragem, no trato, no companheirismo. Quitéria torna-se
exemplo e, mais que isso, mascote da tropa interiorana de
resistência.
ENTRADA TRIUNFAL
Bernardino José de Souza, o notável historiador do Ciclo do
Carro de Bois no Brasil, descreve a participação de Maria
Quitéria em defesa da foz do rio Paraguaçu, quando ela e outras
mulheres combateram “com água até os seios”. Integrando a
Primeira Divisão de Direita, a destemida feirense combateu
em Conceição, Pituba e Itapuã. Consta que tomou de assalto
uma trincheira, fazendo prisioneiros e escoltando-os, sozinha,
ao acampamento.O Governo da Província dera-lhe o direito de
portar espada. Na condição de cadete, Quitéria envergava original
farda azul com saiote por ela própria modelado, além de vistoso
capacete com penacho. Assim ataviada, entrou em Salvador,
com as forças do 2 de Julho, finda a guerra oferecida às tropas
do General Madeira.
AH, EU MORRO DE VERGONHA!
Nunca pensei em pisar num palácio. Quitéria, eu disse a mim
mesma, foste criada para andar de pés nus e cabelos ao vento.
Quitéria, és uma tabaroa. E no entanto, o que fizeram de mim?
Ou melhor, o que a vida fez de mim? Nunca pensei que, ao pegar
em armas, ao entrar naquela guerra do Recôncavo, eu acabaria
aqui, hoje, nesta recepção palaciana. O Imperador vai entrar.
É ele, é ele. Altaneiro no porte, com aquelas dragonas douradas,
o dólmen justo salientando o peito, a barba negra. A gente
conhece logo um Imperador pela barba e, também, pelo jeito
direto e franco de olhar. Um olhar sem medo, u, olhar dentro
dos olhos —olhar de quem tudo ousa, de quem sabe que tudo
pode. Cavalheiro distinto, garboso e galante, o Imperador.
Irritou-se com as exigências de seus compatriotas, reunidos
num concelho chamado Cortes, e, a cavalo, soltou o grito.
Foi fácil, aqui no Rio de Janeiro e em São Paulo, porque havia
um José Bonifácio, havia outros antigos conspiradores
em prol da Independência. Pois D. João VI não havia previsto,
não havia aconselhado: “Pedro, algum dia o Brasil se separará
de Portugal. Se assim for, põe a coroa sobre tua cabeça, antes
que algum aventureiro lance mão dela”. Entra o Imperador no
salão espelhante, cheio de cadeiras e canapés forrados de
veludo verde e vermelho. Um luxo. Faianças, cristais, candelabros,
pesados reposteiros. Deve ser bom viver aqui nestes luxos,
mas prefiro os meus matos, os campos rasos da minha terra.
Estou atordoada, com uma zoeira nos ouvidos, mal entendo o
que diz em discurso o nosso comandante. Ouço palavras soltas:
“heroína”, “mulher valente”, “amor à Pátria nascente”. “Agüenta,
Quitéria”, eu digo aos botões da minha túnica. “Tu não és
soldado, mulher?” Abro os olhos, o Imperador está diante de
mim, curva-se e sorri. Tenho vontade de passar a mão naquela
barba negra que parece seda. Mas a minha palma é calosa, com
certeza o Imperador retrocederá, assustado — e me prendem.
Fecho de novo os olhos. O Imperador me condecora, um sujeito
de roupa espalhafatosa lê um papel em que me concedem um soldo
para o resto dos meus dias. A Pátria agradece, mas, francamente,
eu não pensava em recompensas. Os dedos do Imperador D. Pedro
tocam-me a gola, roçam-me o busto. Ah, eu morro de vergonha.
Quem diria que eu, Quitéria, donzela criada quase solta pelos
campos, com os animais, seria alvo de tantos olhares neste
palácio do Campo de São Cristóvão? As damas de saia arrastando
no chão só faltam me comer com os olhos. Tenho o rosto em
fogo, as orelhas ardem. Será que vou dar chilique em público?
CEGUEIRA E POBREZA
A partir do retorno de Maria Quitéria à boca do sertão baiano,
escasseiam referências. Ou as Parcas esqueceram de trançar
os fios, ou restam muitos dados a pesquisar, sobretudo nos
álbuns familiares e nos registros de paróquias. A biografia
da heroína, na tarde e crepúsculo de sua vida, pode resumir-se
em poucas linhas: casamento com o noivo antigo - ou namorado
- que deixara ao partir para a guerra; morte do marido; cegueira
progressiva e pobreza extrema; e, por fim, provavelmente em
1853, sua morte, nas imediações de Salvador, para onde a filha
a levara. Morreu esquecida, aos 61 anos. Não teve o mausoléu
comumente reservado aos heróis. Ignora-se onde está o túmulo.
Uma pergunta desdobrada em duas é inevitável: por que essa
camponesa quase iletrada, já que avessa foi aos estudos, tornou-se
guerreira? Moveu-a, apenas, o civismo, ou a sua alma irrequieta
teria sido tocada por outros frêmitos? Quitéria criou-se,
é bem verdade, num cenário quase edênico, pastoril, em que
predominavam as “manhãs claras”, conforme anota um biógrafo,
e noites enluaradas, nas quais ela há de ter adquirido desenvoltura
de corpo e espírito. Tabaroa, sim, como a considerou Bernardino
José de Souza, mas a tabaroa alegre, simpática, comunicativa
e esperta. Nascida e crescida em contato direto com a terra
— telúrica, saudável, arrebatada, a ponto de, mas estroinices
naturais da infância, ser comparada a um rapazinho, tal a
sua franqueza de modos e gestos.Mas o cenário generoso não
dura. Advém o falecimento da mãe, o pai casa-se mais duas
vezes, a segunda madrasta obriga-a a administrar a casa. O
pai Gonçalo começa a revelar temperamento sexualmente desregrado,
porque, além do segundo e terceiro casamentos, muito rápidos,
e de nova prole, espalha filhos bastardos pela pequena senzala.
Gonçalo dá-se ares de barão feudal em plena temporada de cio.
Há uma guerra declarada ou dissimulada entre Maria Quitéria
e a segunda madrasta.
ANSEIOS LIBERTÁRIOS
Vida cinzenta, então; vida medíocre, morna, quebrada apenas
pela beleza das tempestades que faziam cair raios e rolar
pedras pela Serra da Agulha. Afora esses raros momentos de
perigo e esplendor, a moça sopitava anseios. Haveria de sentir,
na sua situação de mulher normal, dinâmica, cheia de apetites,
certas ânsias, certos movimentos de alma, aquelas perturbações
interiores, aquele mal-estar permanente que são atribuídos
à adolescência e à entrada, sem definições claras, na vida
adulta. A maioridade chega,Maria Quitéria está sem realização
pessoal digna de seus sonhos. E ela há de ter compreendido
que, somente dela, e não dos outros, há de vir a desejada
definição existencial e, em conseqüência, a paz de espírito.Maria
Quitéria alcança, assim, a hora crítica de sua vida no instante
em que Pedro I é pressionado pelas Cortes portuguesas, que
desejam sufocar movimentos libertadores no Brasil, e Cachoeira,
a Heróica, antecipa a Independência. Temos, então, que a libertação
do Brasil coincide com a libertação de Maria Quitéria. De
um lado, a Pátria jungida que procura arrebentar correntes;
de outro, a camponesa aprisionada ao patriarcalismo familiar
sertanejo. Uma e outra querendo a liberdade, dispostas a morrer
por sua cidadania.Emancipava-se o Brasil, emancipava-se a
Mulher brasileira.
PERDÃO E BÊNÇÃO
A tentativa de libertação pessoal de Quitéria antecede o movimento
universal institucionalizado pela cidadania da mulher. Os
primórdios desse programa teriam de ser buscados a partir
da segunda metade do século 19, com as descobertas científicas
de um mundo que principiava a industrializar-se, com as pregações
liberais, com a ascensão lenta do proletariado e da pequena
burguesia urbana, mais as revoluções sociais surgidas na esteira
de guerras e comoções intestinas. Datam do início do século
20 os programas de alfabetização e ensino qualificado, na
Europa e Estados Unidos, o acesso mais democrático às oportunidades,
através do Ensino, o debate permanente de questões filosóficas,
políticas e científicas nas universidades e nas páginas de
revistas de grande tiragem — e, em conseqüência, o despertar
de uma consciência contra a repressão que cerceava a mulher.
Sem mencionar páginas de Flaubert, de Tolstói, de Tchekhov,
do teatro escandinavo, notadamente o de Strindberg e Ibsen,
porque a boa literatura reflete sempre os movimentos mais
sutis do tecido social vivo. Mas o feminismo que há de atribuir-se
a Maria Quitéria não tem cores radicais. Se ela, na infância,
mais se parecia com um menino, por obra das brincadeiras rudes,
quando ficou moça era “a flor de toda aquela zona”. Quitéria,
com a sua pele iodada, tornou-se “um dos grandes atrativos
do belo sexo dos dias que correm”, disse um biógrafo. Tinha
amor pelo namorado Gabriel. Prova disso é que, após glorificar-se
na guerra, voltou para os braços dele — Gabriel Pereira Brito,
com quem veio a casar e teve uma filha. Nas Efemérides Cachoeiranas,
Aristides Milton considerou-a “tão valente quando honesta
senhora”. A donzela de Feira também impressionou a escritora
inglesa Maria Graham, mais por sua firmeza, honestidade de
propósitos e simplicidade de coração: “Maria de Jesus é iletrada,
mas viva. Tem inteligência clara e percepção aguda. Penso
que, se a educassem, ela se tornaria uma personalidade notável.
Nada se observa de masculino nos seus modos, antes os possui
gentis e amáveis”.
O Imperador me põe a condecoração. Tremo toda. Ele entende
o que se passa comigo e sorri.
- Parabéns. A senhora é uma heroína. A Pátria lhe será eterna
devedora.
- Cumpri apenas meu dever de brasileira - consigo balbuciar
em resposta.
O Imperador curva-se e vai retroceder. Faço-lhe um gesto.
O homem poderoso se detém.
- Posso ser-lhe útil em algo mais, senhora?
- Quero pedir-lhe um obséquio, um grande obséquio...
- Queira dizer-m’o.
- Quero que o senhor peça perdão, por mim, ao meu velho pai.
- E por que motivo? - indaga o Imperador.
- Porque fui-lhe desobediente, fugi de casa para entrar na
guerra - eu lhe digo, toda ruborizada.
O Imperador sorri de leve.
- Está perdoada. Farei o senhor seu pai sabedor do meu perdão.
O Imperador levanta a mão sobre a minha pessoa, em sinal de
bênção.
Os textos
e imagens acima foram extraidos do site www.vidaslusofonas.pt
- Lisboa - Portugal.
Hélio Pólvora, escritor brasileiro, é autor do recente livro
A Guerra dos Foguetões Machos, lançado em Portugal pela Orabem
Editora.
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