Lucas
Evangelista, o Lucas da Feira |
Texto
histórico sobre Lucas da Feira extraído do
Livro "Municípios da Bahia" publicado em
1907 e de autoria do Sr. Guimarães Covas, Delegado
de Polícia em Feira de Santana no final do século
XIX, bem como uma descrição da cidade na
época, concluindo com a Transcrição
do Interrogatório a que foi submetido Lucas no Tribunal
do Juri. Clique
aqui para ler o texto na íntegra.
Nas
sociedades rurais subdesenvolvidas, segundo Chandler, "o
banditismo sempre captou o interesse e a fantasia do povo.
Na verdade, o fascínio que estes bandidos exercem e
a criação de lendas sobre elessem mencionar
o fenômeno do próprio banditismoparecem
ter sido universalmente difundidos. O homem, ou ocasionalmente
a mulher, que vive fora da lei como um celerado errante, aparentemente
livre de qualquer restrição da sociedade, desperta
uma fibra de nossa imaginação, principalmente
quanto mais remotas forem suas colocações no
tempo ou no espaço. Deste modo, os ingleses vibram
com os feitos de Robin Hood e seu alegre bando; os americanos
contam as aventuras de Jesse James; os mexicanos, as façanhas
de Pancho Villa, e os brasileiros, as de Lampião."
(1981 p. 15)
Todos
os personagens mencionados até agora foram muito importantes
na história do cangaço e, direta ou indiretamente,
participantes da formação e da vida de Lampião.
No entanto as principais figuras da saga do cangaço
eram os próprios cangaceiros, inúmeros e de
personalidades distintas entre si. Os grupos e subgrupos formados
pelos cangaceiros existiam em grande quantidade. Era habitual
que depois de participar de um agrupamento durante algum tempo
o indivíduo se sentisse apto a ter seu próprio
bando. No momento em que achava que estava preparado para
ter sua própria organização ele se dirigia
a seu líder e expunha seus planos. Geralmente não
havia nenhum problema. O mais comum era encontrar respaldo
em seu chefe que, por sua vez, sabia que, no futuro, se necessário,
poderia contar com a ajuda desse seu ex-subalterno. Dessa
forma os grupos iam se subdividindo ou se reagrupando, num
contínuo e alternado processo de divisão e crescimento.
Assim surgiam os numerosos líderes de bandos, tantos
que a maioria teve seus nomes esquecidos pela história.
Muitos, entretanto, tornaram-se conhecidos, e seus nomes serão
lembrados sempre que se falar em cangaço.
· Cabeleira
Era o nome pelo qual José Gomes tornou-se conhecido.
Nasceu em 1751, em Glória do Goitá, Pernambuco.
· Lucas da Feira
Assim era conhecido Lucas Evangelista, por haver nascido em
Feira de Santana, Bahia. Lucas da Feira nasceu em 18 de outubro
de 1807.
· Jesuíno Brilhante
A data de nascimento deste cangaceiro é objeto de muitas
controvérsias. Dizem uns que ele nasceu em 02 de janeiro
de 1844, outros que foi em março de 1844. Seu nome
de batismo era Jesuíno Alves de Melo Calado.
· Adolfo Meia Noite
Sabe-se que nasceu em Afogados da Ingazeira, sertão
do Pajeú de Flores, em Pernambuco, em data indeterminada.
· Antonio Silvino
Nascido na Serra da Colônia, em Pernambuco, no dia 02
de novembro de 1875, foi batizado como Manoel Batista de Moraes.
· Sinhô
Pereira
Sebastião Pereira da Silva, conhecido como Sinhô
Pereira, nasceu em 20 de janeiro de 1896, em Pernambuco.
Sinhô Pereira foi o único chefe de Lampião
antes deste ter o seu próprio grupo.
· Lampião
Como vimos, vários cangaceiros tiveram seus nomes
gravados pela história, mas nenhum deles destacou-se
tanto quanto Lampião. Seu nome de batismo era Virgolino
Ferreira da Silva. Mais...
Association
de capoeira PALMARES de Paris
José Alexandre Melo Morais Filho, Festas e tradições
Populares do Brasil , 1901
Tradições
- Lucas da Feira
Lucia Palmares & Pol Briand
3, rue de la Palestine 75019 Paris
Tel. : (33) 1 4239 6436
Email : polbrian@wanadoo.fr
Paixão
e guerra no sertão de Canudos - Entrevista com Antônio
Olavo
Quais eram os seus objetivos quando pensou em realizar o vídeo?
AO:
Eu queria contribuir para o resgate da memória popular
do Brasil. É preciso buscar nossa memória,
mas não me refiro à que está preservada
nos palácios, nos grandes casarões, nos nomes
das ruas, dos logradouros e das praças. Na cabeça
do povo, quem libertou os escravos foi a Princesa Isabel.
Na cabeça do povo, quem construiu a história
do Brasil foram as pessoas de elite. Toda cidade tem, pelo
menos, duas ruas chamadas "Princesa Isabel"; agora,
"Zumbi dos Palmares" não tem nenhuma. Na
Bahia, existem várias ruas com o nome dos militares
derrotados em Canudos: a Rua Tenente Pires Ferreira em Salvador,
por exemplo. Mas, no país inteiro, existe apenas
um beco chamado Antônio Conselheiro, situado em sua
cidade natal, Quixeramobim, cuja placa está tão
estragada que não se conseguiu filmar para colocar
no documentário. Em junho de 1993, quando o documentário
foi lançado no Museu da República, não
havia lá uma peça sequer de Antônio
Conselheiro e/ou de Canudos. Então, o Brasil é
um país que não tem memória popular.
A cabeça de Antônio Conselheiro ficou em exposição
pública até 1905. Por que a cabeça
da Princesa Isabel, a de Duque de Caxias e a de D. João
VI não foram expostas? Mas a cabeça de Zumbi,
de Lucas da Feira e de Lampião estavam até
recentemente expostas, quando, então, as famílias
protestaram. Por isso é que a memória que
o Brasil precisa é uma memória popular. Por
isso, Paixão e guerra no sertão de Canudos.
Mais...
Alguns
Fatos Marcantes:
1822 - Lucas da Feira, filho de escravos, aos 15
anos foge e passa a viver escondido no mato. Chegou a formar
um bando com cerca de 30 homens.
1848 - Lucas da Feira, ao ser preso, é levado
à Corte Imperial, a pedido de D. Pedro II, que desejava
conhecê-lo antes que fosse enforcado em Feira de Santana
(BA). Mais...
Lucas
da Feira
Assim
era conhecido Lucas Evangelista, por haver nascido em Feira
de Santana, Bahia. Lucas da Feira nasceu em 18 de
outubro de 1807. Mais...
UNICAMP
- Literatura Popular
Título: ABC de Lucas da Feira
Há, na capa, nota explicativa na qual Rodolfo C.
Cavalcante adaptou versos atribuidos a Lucas da Feira
; Contém indicação de preço
e a inscrição "Literatura de Cordel No.1378.
Mais...
The
Cangaço
In 1938, two years after the death of Lampião (Virgolino
Ferreira da Silva), it reached its height and continued
until 1940 when Lampião's successor and deputy, Corisco
(Christino Gomes da Silva), died. Other cangaceiroswho
were just as famousthat preceded them included Jesuino
Brilhante, Adolfo Meia-Noite, Antônio Silvino, Sinhô
Pereira e Luiz Padre. There are also precursors to cangaço
or "acting-cangaceiros" (prior to 1870), such
as Cabeleira and Lucas da Feira, in addition to others
less researched and for whom little historical documentation
is available. Mais...
Fundação
Joaquim Nabuco
Coleção de Folhetos de Cordel da Biblioteca
Blanche Knopf
Rodolfo Coelho Cavalcante
Obra: ABC de Lucas da Feira (FC-84)
João Ferreira da Silva
Obra: Verdadeira história de Lucas da Feira,
A (FC-891) Mais...
A
história de Lampião. Contada por quem sabe
De Virgolino a Lampião é obra que não
se pode deixar de ler: seus autores (um historiador e a neta
de Lampião, jornalista) seguiram o sério caminho
jornalístico e documental.
Após esclarecimentos necessários e convincentes
a respeito das origens do cangaço e da conseqüente
presença dos coronéis sem patente, coiteiros
e volantes (perseguidores dos cangaceiros), os autores traçam
pequenos mas sucintos perfis dos principais bandoleiros
que antecederam a Lampião, a partir de José
Gomes, o Cabeleira, pernambucano de Glória do Goitá,
nascido em 1751, que espalhou medo e morte no meio sertanejo
por mais de uma década, ao lado do pai e de um amigo,
antes de ser impiedosamente executado por forças
policiais (volantes) aos 25 anos de idade. Além do
Cabeleira, são lembrados Lucas da Feira, Jesuíno
Brilhante, Adolfo Meia Noite, Antonio Silvino e Sebastião
Pereira da Silva, o Sinhô Pereira, primeiro chefe
cangaceiro de Lampião.
DE VIRGOLINO E LAMPIÃO, de Vera Ferreira e Antonio
Amaury. Idéia Visual, 258 págs. Mais...
A
Quilombagem
Igualmente
deverá ser incluído na quilombagem o bandoleirismo
dos escravos fugidos, os quais em grupos ou isoladamente
atacavam povoados e estradas. Desse bandoleirismo quilombola,
os exemplos mais destacados são os de João
Mulungu, em Sergipe, e Lucas da Feira, na Bahia,
embora inúmeros outros tenham existido durante a
escravidão em todo o território nacional.
Mais...
Universidade
Federal da Bahia - FACOM
Entrevista com Miguel Carneiro
Quais são as suas principais influências?
MC
- Eu bebi em cacimbas e caldeirões, em Ascenso Ferreira,
Leandro Gomes de Barros, Minelvino, José Bernardo
da Silva, Osman Lins, Hugo de Carvalho Ramos. Aos sábados,
dia de feira em minha terra, cada propagandista ou vendedor
de cordel que abrisse sua banca no meio daquele ermo, me
chamava a atenção. Conheci Rodolfo Coelho
Cavalcanti dentro do Cartório de Tabelionato de meu
pai, ele vendendo seus folhetos. Fui embalado com canções
de ninar que meu avô cantava do ABC de Lucas da
Feira. Mais...
Lucas:
Herói ou Mito?
A história de Feira precisa ser reescrita.
Por Jairo Cedraz de Oliveira
A memória oral da população ainda mantém
viva a figura do legendário Lucas da Feira.
Entretanto determinada elite política e cultural
e proprietária de bens, que quer ser dona de tudo
e de todos, deter o amanhã e aprisionar o futuro,
insiste em apagar ou evitar qualquer menção
ao nome daquele escravo. Por que será? Supõe-se
que a história de Lucas da Feira escancara
o escárnio, a podridão e a arrogância
dos antigos senhores que ascendiam com o tráfico
e exploração da mão-de-obra arrancada
dos seus lares na África. As classes dominantes sucedâneas
descaracterizaram e praticamente destruíram o patrimônio
cultural, artístico, histórico e arquitetônico
do Município, confinando-o aos museus e catálogos
de fotos, e teimam em impor culturas alienantes e símbolos
de fora que têm apenas valor de mercado, e somente
isto. Mais...
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