Texto
sobre Lucas da Feira escrito pelo Sr. Guimarães Covas
em 1907. Esse cidadão foi delegado em Feira de Santana
no final do século XIX e início do século
XX.
Razões
do meu trabalho
Desejando
a prosperidade do território bahiano, um dos mais
opulentos e ignorados entre seus irmãos do Brasil,
concebi, desde 1907, publicar um trabalho que se, devido
á minha incompetência, não tivesse o
valor para preencher esse vasio, fosse, pelo menos, um repositório
de informações de tudo quanto possuem os municípios
da Bahia. Seis annos passaram-se o meu ideal mais se desenvolvia
tomando vulto ante o silencio dos competentes da tal respeito,
e a falta que as minhas observações iam notando,
de dia para dia, do livro imaginado.
Essa tarefa para mim deve ser bastante árdua e penosa,
eu assim pensava. Todavia, si esse livro a que ousadamente
me proponho escrever, tiver algo de utilidade, attestando
no conjuncto de suas paginas as minhas boas intenções,
elle merecerá, por certo, a benevolência dos
mestres e o generoso acolhimento do público, maximè
das populações dos municípios de que
vou me occupar.
Destas reflexões de meu espírito para remover
as difficuldades e os temores que lhe assediavam, saíram
afinal victoriosos os meus desejos; e hoje posso entregar
aos favores do publico o primeiro volume dos "MUNICIPIOS
DA BAHIA". Embora singello na fórma, se o estylo
e sem o cabedal que valorisam o trabalho dos doutos, o meu
livro, assim mesmo sem méritos literários
e scientíficos, tem uma qualidade utilíssima
- a de prestar minuciosas informações aos
que precisarem consultal-o.
Parece justo que este meu trabalho devia começar
pelo município de mais importância do Estado
- o município da capital. Effectivamente, isso é
que devia ser para muita gente; mas reflectindo-se com isenção
de egosimo, e procedendo-se com justiça, os pequeninos
seguem sempre adeante, tendo o primeiro lugar que lhes deve
conceder a generosidade dos bons. Pensando deste modo reservei
para o município da capital o vigésimo volume
do meu trabalho, convicto de que assim mais o engrandecerei.
Dadas estas explicações que julguei necessárias
em favor de meu livro, espero do publico o favor de acceita-lo
na mesma razão da confiança que lhe dispenso.
O Autor.
Como
um preito de justiça e de veneração,
dedico este humilde trabalho aos reivindicadores da História
da Pátria. Directores e demais Associados do Instituto
Geographico e Histórico da Bahia.
Aos
meus bons amigos:
· Coronel Plínio Mosceso
· Gustavo Ballalai
· Eurico Jano da Silva
· Mauro Santos
· Dr. José Marques dos Reis
· Dr. Edgard Barros
· João Baptista Reis
· Dr. Antonio Nunes Pinheiro de Almeida
· João Gama
Amizade sincera e gratidão
Descrição
sobre Feira de Santana
Deixemos o litoral, fazendo o nosso desembarque na heroiea
cidade de Cachoeira.
A partir do laborioso centro da industria de charutos, rumo
Norte, de devesa em devesa, subindo sempre, galguemos e
extenso taboleiro que nos conduz á uma das mais bellas
cidades da Bahia - a Feira de Sant'Anna, collocada a 233
metros acima do nível do mar e distante desta capital
123 kilometros. Ali, em meio das catingas, e em demanda
do clima salutifero dos sertões do Norte, já
podemos respirar livremente, enchendo os pulmões
de puríssimo exygenio.
A encantadora cidade é a sede do vasto município
a quem deu seu nome. Divide-se pelo Norte com o não
menos salubre município de Serrinha, pelo Sul com
a Cachoeira e São Gonçalo, pelo Leste com
Irará e Santo Amaro e pelo Oeste com terras do Jacuhype.
Circumscreve, esta divisão, uma área de 150
kilometros de terra fertilíssimas, onde se cultivam
com abundancia e vantagens as plantas malváceas,
leguminosas e gramineas, cuja producção annual
está mais ou menos na razão de 1800000 arrobs
para o fumo, 40000 para o algodão e para os cerenes
de 30000 saceos.
A população do município é de
sessenta mil habitantes, espalhados pelos seus dez Districtos
de Paz, importantes povoações que estão
situadas nos melhores pontos daquelles terrenos - nos sopés
das serras, ao longo das planícies, dentro das catingas,
mas todas ellas servidas de um clima especial e amenissimo.
Antigas e importantes fazendas de criação,
esses grandes Districtos, tornaram-se actualmente, artérias
de que está depedendo a vida financeira do vasto
e rico município, cuja renda annual é de cem
contos de réis. Esses Districtos vêm a ser:
Santa Bárbara, Bomfim, Tanquinho, São José
das Itapororócas, Bom Despacho, Almas, Remédios
da Gamelleira, Humildes, São Vicente e a Séde.
Possuem, os nove Districtos, 13 escolas primarias, em sua
maioria mixtas; e a séde concentra o numero de 8,
sendo 6 elementares, uma complementar e o collegio particular
do Asylo de Nossa Senhora de Lourdes, instituição
benemérita para recolhimento de orphans, criada pelo
Padre Ovídio de São Boaventura, feirense de
saudosa memória pelas suas incomparáveis virtudes
de honradez e de caridade.
Numa cidade do interior em que a educação
moral e intellectual de seus habitantes se attesta com este
número tão avultado de estabelecimentos de
ensino, tendo para reforçal-os três grupos
littero-dramaticos intitulados: Rio Branco, Taborda e Arthur
Azevedo; duas excellentes philarmonicas: 25 de Março
e Victoria, a primeira fundada em 25 de Julho de 1868 e
a segunda em 20 de Julho de 1873; um importante hospital
de misericórdia, um Asylo para orphans e duas sociedades
beneficentes de soccorros mútuos entre seus associados:
Monte Pio dos Artistas Feirense e Centro Operário.
Uma cidade nesta condições, que tem um povo
de cultura tão elevada, desenvolvendo tamanha actividade
e tão grandes energias de seu espírito fecundo
na pratica do altruísmo não pode deixar de
progredir, tomando lugar de destaque entre as suas irmans
do Estado. Seria uma injustiça clamorosa de nossa
parte se no presente livro dos municípios, do qual
excluímos as selecções de preferências,
não tivéssemos a verdade como divisa, deixando
transparecer de nossas descripções, filhas
genuínas do que vimos e sentimos, os laivos da maldade
ou os gestos de sympathias. Dahi a resistência opposta
ao espírito de bairrismo que nos queria empolgar
os desejos de neutralidade quando falamos do berço
natal.
Por uma obrigação de egualdade que devíamos
manter dentro dos limites deste livro a que nos abalançamos
publicar, muito desapaixonadamente, centivemos as explosões
de enthusiasmo que do impulso de nossa penna humilde e paupérrima
tentou muitas vezes transpirar.
Assim sendo, torna-se justo que digamos dos feirenses, o
que os feirenses merecem. Oxalá fossem bafejados
pelas mesmas auras de patriotismo e caridade, outros lugares
da Bahia, que estão envelhecendo quase no mesmo estado
primitivo e na orphandade de consiencias bemfazejas que
se resolvam levantal-os. Elles vivem ainda aferrados ás
velhas praxes de seus antepassados, alimentados pelas mesmas
idéias decahidas, não se advertindo de que
estamos numa epocha de progresso, na qual os benefícios
geraes ou a defeza dos interesses communs, são a
synthese da vida moderna, que já vai se tornando
um esboço das idéias socialistas, cujo lemma
é "Amor e Trabalho".
E' que esses povos, não comprehendendo a epocha de
evolução que vamos atravessando, desviam capitães
e actividade da construcção de estabelecimentos
pios, de colônias correccionaes, da creches, de albergues
diarnos e nocturturnos, de logradoiros públicos,
do desenvolvimento de sociedades beneficentes e mutuas,
cooperativas districtaes, abertura de collegios e escolas
nocturnas, manutenção de bibliothecas, de
theatros e de jornaes, cuidando apenas de festas pomposas
de outra natureza, com prejuízo da indigência,
da garotagem e do analphabetismo que nos enchem as ruas
e praças, andrajosos, sem pão, sem luzes,
sem lar, e finalmente se um estabelecimento onde possam
curar as suas enfermidades tanto da alma como do corpo.
Não se resente de tudo isto a progressista cidade
de Feira de Sant'Anna, por que seus administradores, com
raras excepções, teem sabido applicar os dinheiros
públicos no embellesamento da cidade; e o povo feirense,
cuja cultura de espírito está acima de todo
e qualquer elogio que nos possa sair da penna, sabe cumprir
seus deveres humanos e sociaes. Eis a razão porque
existe na Feira: hospital, asylo de orphans, theatro, sociedade
beneficentes e recreativas, bom palacete municipal enriquecido
de uma bibliotheca que vive diariamente franqueada á
visita publica, bom jornal, matadouro, excellentes ruas
e praças calçadas e arborsisadas.
Visita-se os quatro cantos da nossa capital, e ao espanto
succedo a tristeza; nem uma pequenina estatua se ergue nas
praças, com excepção das de Pereira
Marinho e Paterson, para mostrar ás gerações
vindouras, que aquella homenagem, esculpida no bronze, e
a synthese da gratidão de um povo, perpetuando, por
certo, o nome querido de um bemfeitor, a cuja memória
seus contemporâneos souberam render um culto de veneração.
Desafiamos a qualquer que seja para nos mostrar, aqui nesta
grande urbe, á excepção das que já
apontamos, uma só estatua que seja obra do povo,
porque, infelizmente, as benemerências daquelles que
trabalharam em prol da fundação de estabelecimentos
de caridade,confundem-se com as façanhas de politiqueiros;
tanto que, os protestos de gratidão limitam-se a
simples retratos dentro dos próprios estabelecimentos
por elles fundados, quando esses culto de veneração
devia se manifestar de publico para estimulo da mocidade,
tão grandemente necessitada dessas licções
que ennobrecem.
Tanto não podemos dizer dos feirenses, porque elles,
não podendo sopitar esses bons sentimentos, ergueram
na praça da Matriz da bella cidade, uma estatua ao
Padre Ovídio de São Boaventura, benemérito
fundador de Asylo de Lourdes, instituição
que há longos annos vem prestando os maiores benefícios
a pobres orphans daquella zona. Suspendamos estas divagações
e reatemos o fio da nossa descripção.
O commercio da Feira, quase todo concentrado na praça
da Intendência e num trecho da rua Direita, compõe-se
de 14 lojas de fazendas, 30 armazens de molhados, sem se
falar em pequenas tavernas; 4 padarias, 3 pharmacias, 2
joalherias, 2 hoteis, 2 sapataria de primeira ordem e outras
inferiores, afora muitas casas que exploram vários
ramos de negocio, como sejam: salões de cabelleireiro,
funilarias, officinas de marceneiro, de ferreiro, encarnador,
etc.
A Folha do Norte, jornal de formato avantajado, bem redigido
e nitidamente impresso, que alli se edita, tem optimas officinas
de obras. É propietario e Redactor-Chefe da dita
folha, o Coronel Tito Ruy Bacellar, talentoso cidadão
e político de caracter adamantino. A Feira possue
também uma casa bancaria, de propriedade do actual
Presidente do Conselho, Coronel Agostinho Fróes da
Motta, cidade de alto valor commercial e de muito prestígio
naquella região.
Os fertilíssimos terrenos da Feira, selicosos e planos,
embora sujeitos ás calamidades das secas, convidam
os interesses dos agricultores e clamam o patriotismo dos
governos na abertura de estradas de rodagem e de linhas
férreas, para que possa crescer a cifra de seus produetos
na mesma razão dessa facilidade dos meios de transporte.
Feito isso, o município terá mais uma fonte
de receita - o ramo de madeiras, pois em suas mattas encontramos:
aroeira, cedro, vinhático, páo de arco, piquiá
amarello, pão roxo, taipóca, baraúna,
cavaco, amargoso, jacarandá, inhaiba, camaçarí,
putumujú, coração de negro, sucupira,
angico e amoreira.
A flora é riquíssima em plantas medicinaes,
existindo entre outras muitas, a jalapa, ipéca, angico,
nogueira, salsa, caroba, avencas, janaúba, capeba
e mamona, da qual se fabrica ali para exportação,
o óleo de rícino. A pecuária está
muito desenvolvida naquella zona, bastando dizer-se que
o município da Feira é, entre nós,
um dos maiores exportadores de gado, cuja cifra annual eleva-se
a sessenta mil cabeças.
Cortam os terrenos do salubre município os rios Jacuhype
e Pojuca, e existem por ali muitas curiosidades como as
lagoas de São José e Mangabeira, e as vertentes
da serra das Itapororócas e de Tanquinho.
Passemos á segunda e última parte da nossa
descripção.
Em face de todos os dados que pudemos colher, vamos contar
aos nossos leitores como começou a progressista cidade,
séde do vasto e populoso município da Feira.
Corria o anno de 1733. No mez de Março, o vigário
de São José das Itapororócas, mandou
abrir o codieillo deixado por Domingos Barbosa Brandão
e sua esposa D. Anna Brandôa, (assim firmava-se ella)
proprietários da vastíssima e rica fazenda
Sant'Anna dos Olhos d'Agua.
Ficou deste modo conhecida a dita fazenda, porque os seus
proprietários, harmonisados pelos doces affectos
da mais invejável união conjugal, deliberaram,
por serem catholicos intransigentes, edificar uma rústica
capellinha para o culto de sua devoção; e,
como era muito natural, os occupantes da informe egrejinha
formam: Sant'Ana e São Domingos, patronos escolhidos
por serem os nomes próprios do feliz e respeitável
casal. Ninguém, por certo, naquella zona, desconhecia
Sant'Anna dos Olhos d'Agua.
O desejo de entreter relações com o tirtuoso
casal, para ali arrastava, todos os dias, muitos fasendeiros,
que afinal provocaram uma feira em frente á capellinha
aos Domingos; e dahi a mudança do nome da localidade
de Sant'Anna dos Olhos d'Agua para Feira de Sant'Anna.
Como adiante dissemos: foi aberto o codicillo pelo vigário
de São José, e por isto mandado immediatamente
cumprir pelo Juiz ordinário da Villa de Cachoeira,
em despacho de 6 do referido mez de Março, sendo
vinculada á capella de Sant'Anna o maravilhoso trecho
rural, que por se ter declarado em commiso, houve a Fazenda
nacional de requerer seqüestro em 27 de Outubro de
1841, e por sentença do Dr. Juiz Municipal dali lavrada
em 7 de maio de 1817 foi julgada devoluta e encorporada
aos bens nacionais.
Dahi em deante, entrou a Feira em uma nova era de prosperidade,
até que, já sendo Freguezia, embora não
canonisada, desde 1696, foi elevada á categoria de
Villa por Decreto Imperial de 3 de Novembro de 1832 e ao
mesmo tempo canonisada. Esse acto de Sua Magestade foi praticado
8 mezes depois da revolução Republicana de
São Felix; parecendo que elle vinha saldar uma dívida
da Monarchia para com o Coronel Joaquim José Bacellar
e Castro, commandante de uma expedição composta
de ricos fazendeiros, que abafaram, na Feira, a revolução
Federalista.
Quarenta e um annos os mais tarde, a 12 de Junho de 1873,
rasgam-se de todo os horisontes de liberdade daquelle povo,
com o Dec. N. 552 que elevou a prospera villa ao Maximo
da hierachia político-administrativa com a categoria
de cidade e respectivamente cabeça de comarca.
A Feira tem sido o berço de muitos homens de importância
na magistratura, nas lettras, na política e nas artes.
Dos fallecidos citaremos: Padre Ovídio Alves de São
Bôaventura, Dr. Pedro Carneiro da Silva, Chistovam
Barretto, Joaquim de Mello Sampaio, Dr. Olympio Manoel dos
Satos Vital, Dr. Quintino Ferreira da Silva, Dr. Libanio
de Moraes, Dr. Barbosa de Souza, acadêmico Salles
Barbosa, Dr. José Marcellino da Silva Carneiro, Dr.
Miguel Ribeiro de Oliveira, Coronel José Freire de
Lima, Desembargador Licinio Alfredo da Silva e Desembargador
Pedro Francellino Guimarães.
Dos vivos que ali e em outras partes do Estado desenvolvem
suas aptidões em proveito da Pátria e da família
bahiana, nomearemos: Conselheiro Filinto Justiniano Ferreira
Bastos, Dr. Antonio Daniel Tanajura Guimarães, Antonio
Joaquim da Costa, Dr. Jacintho Ferreira da Silva, Dr. Agnello
Ribeiro de Macedo, Cônego João Cupertino de
Lacerda, Coronel Tito Ruy Bacellar, Coronel Agostinho Fróes
da Motta e Coronel Abdon Alves de Abreu.
É possivel que nos tenham escapado á memória
nomes de outros cidadãos feirenses, não menos
dignos que os mencionados.
Esses, estamos certos, nos desculparão da falta que
é inteiramente involuntária.
Maria Quitéria de Jesus Medeiros
Já que começamos a falar dos feirenses mais
notáveis em todos os ramos da actividade humana,
é justo que dediquemos a presente pagina á
extraordinária D. Maria Quitéria de Jesus
Medeiros, natural de São José das Itapororócas.
Após a noticia dos graves acontecimentos do anno
de 1823, em que lutamos pela nossa Independência,
D. Maria Quitéria, dominada por sentimentos de patriotismo,
deixa a casa paterna em procura da heróica villa
de Cachoeira, hoje cidade, onde teve começo o movimento
da libertação da Pátria.
Antes de chegar ao ponto em que se destinava, trocou em
caminho as vestes femininas por outras do sexo forte, e
em Cachoeira apresentou-se á autoridade militar,
tendo praça no Regimento de artilharia, donde, dias
depois, passou-se para o batalhão de caçadores
Voluntários do Príncipe.
Instalando-se o Conselho Interino do Governo da Província
na villa de Cachoeira, o commandante do referido Batalhão
pediu-lhe, e obteve em data de 28 de Março do citado
anno, que á D. Maria Quitéria fossem fornecidos
dois saiotes de camellão ou de outro panno similhante
e uma fardêta azulada. Como a intrépida e honrada
senhora fosse alistada com praça de cadete, o mesmo
Conselho, por ordem expedida em 31 daquelle mez, mandou
entregar-lhe uma espada e seus accessorios. Três vezes,
nas luctas da Independência, D. Maria Quitéria
combateu com o maior sangue frio e bravura, merecendo, por
isso, os mais francos elogios de seus superiores. À
frente de outras amazonas, dignas patrícias cachoeiranas,
impediu ella, num dos maiores assomos de patriotismo, o
desembarque de soldados portuguezes na fóz do Paraguassú,
os quaes recuaram batidos pela fuzilaria daquelle pelotão
destemido.
Quando terminou a guerra da Independência, D. Maria
Quitéria foi ao Rio de janeiro communicar ao Monarcha,
D. Pedro I, que o solo bahiano tinha sido desoccupado pelas
forças portuguezas. A presença da heroína
feirense, na Corte, causou um verdadeiro successo. Todos
queria-n'a conhecer envergando o curioso uniforme militar:
calça, salote, fardéta, kapi e o respectivo
emplema do brioso Batalhão e Voluntários do
Príncipe.
Teve a grande honra de ser recebida pelo Imperador em audiência
especial; e como premio de seus valiosos serviços
promoveram-n'a o Segundo-Tenente, sendo-lhe collocadas as
patentes deste posto por D. Pedro I, em signal de reconhecimento
e consideração.
Lucas da Feira
O nosso trabalho, fizemol-o sem amontoamento de palavras,
embora seja elle, até a presente data, o maior repositório
de informações de tudo quanto possuem os municípios
da Bahia. Procuramos não omitir o mínimo esclarecimento
sobre a vida dessas terras do interior, maxiè dos
factos históricos, políticos e sociaes, que
collocamos em ordem chronologica, porque elles constituem
a historia dessas unidades; e, assim, simultaneamente reunidos,
formam a própria historia do nosso Estado. Se Roma
mandasse apagar de seus annaes a mínima narração
dos factos que praticarem Augusto, Nero, Commodo, Heliogabalo
e Tibério, naquelle período de decadência
moral da raça romana, a historia da grande Pátria
de Dante não estaria completa.
E' uma pagina negra, não há duvida, a que
descreve a vida dissolata daquelles Imperadores degenerados;
no entanto, é uma pagina dessa mesma historia, que
segundo a opinião do Bispo Estromaia, della não
se apagará uma só letra, mesmo caindo lhe
em cima todos ao oceanos do mundo.
Nas mesmas circunstancias consideramos a historia do rio
município feirense.
Não se apagará o borrão da vida de
Lucas, o salteador, sem que não fique uma grande
falha na historia da Feira.
Demais, ella se afastaria da norma que traçamos,
porque só conhecemos, unicamente, como inspiradoras,
as injuncções da verdade para narrarmos desapaixonadamente
a vida dos bons e dos maus, no presente livro, que é
um fragmento de historia e uma migalha de geographia.
Feitas estas explicações, comecemos a narração
dos factos principaes da vida de Lucas e de sua quadrilha.
A 18 de Outubro de 1807, nasceu Lucas Evangelista, na fazenda
"Sacco do Limão", do município da
Feira de Sant'Anna. Produziram o temível facínora
os africanos Ignácio e Maria. Captivo de nascimento,
Lucas pertenceu, a princípio, a D. Anna Pereira do
Lage, e por fallecimento desta senhora passou ao domínio
do Padre José Alves Franco, vindo mais tarde a caber,
em nova partilha, ao pae deste sacerdote, Alferos José
Alves Franco. Ao tempo em que se deu o traspasse do maldicto
escravo ao novo senhorio, elle já havia fugido para
as mattas da Feira, mais ou menos em meiados de 1828.
Uma vez no goso daquella conquista de liberdade, a índole
perversa do bandido entrou, desde logo, em cogitações
diabólicas de que resultou a organisação
da celebre quadrilha de salteadores, da qual faziam parte
os escravos também fugidos, de nomes: Flaviano, Nicolau,
Bernardino, Januário, José e Joaquim. Inspirada
nos sentimentos sanguineos do bandido que a chefiava, essa
malta de terríveis assassinos e ladrões commetteu,
livremente, toda sorte de crimes nas estradas do famoso
município, até o dia 28 de Janeiro de 1848,
data da prisão do celebre salteador chefe da quadrilha.
Para que o leitor fique conhecendo a serie de crimes praticados
por Lucas e seus cúmplices, esses bandidos que trouxeram,
por 20 annos, a população da Feira em constante
sobresalto, vamos transcrever o interrogatório a
que foi submettido no tribunal do jury o chefe desses miseráveis.
O Juiz de Direito da Comarca e Presidente do julgamento
era o Dr. Innocencio Marques de Araújo Góes
que fez do seguinte modo o interrogatório ao réu:
- Perguntado o seu nome, naturalidade, edade e profissão?
- Respondeu chamar-se Lucas, ter sido escravo do fallecido
Padre José Alves, nascido na fazenda do "Sacco
do Limão", frequezia de São José
maior de 35 annos e que era empregado no serviço
da lavoura e carpina.
- Perguntou-lhe se sabe o motivo por eu foi preso e o que
vem fazer neste tribunal?
- Respondeu que tendo fugido da companhia de seu senhor
há quase dezoito annos e commettido em todo esse
tempo algumas acções más, pelo que
tem sido processado pela Justiça, pensa ter sido
preso para dar contas do seu procedimento e julgado como
merece.
- Perguntou em que empregava-se durante tanto tempo que
viveu nas mattas, como sustentava-se e obtinha aquillo de
que carecia?
- Respondeu que até certo tempo matava seus bichinhos
para sustentar-se, e pedia algumas coisas que precisava
a pessoas de seu conhecimento e amisade, mas que passando
a ser perseguido pela Justiça, vendo-se desesperado,
como ainda se acha, começou a offender e fazer mal
ao povo.
- Perguntado quaes os conhecidos e amigos que lhe devam
objectos que elle pedia?
- Respondeu que não tinha empenho em declarar nomes,
que por estar perdido não queria perder outros christãos
que lhe haviam feito benefícios.
- Perguntado se esses amigos e conhecidos a que se refere
lhe forneciam também algumas porções
de polvora e de chumbo e algumas armas?
- Respondeu que há mais de quatro annos tomara na
estrada um barril de pólvora e uma grande porção
de chumbo de que usou até agora.
- Perguntou-lhe onde e como obtinha os mesmos objetos, antes
dessa tomada de que fala?
- Respondeu que nas estradas tomava a uns á força
e outros voluntariamente lhe davam, e que também
algumas vezes comprava, não declarando seus nomes,
porque, já disse, não queria perder outros.
- Perguntou-lhe mais como offendia geralmente ao povo, segundo
disse, quando affirma que só queria offender áquelles
que o perseguiam e o insultavam nas estradas?
- Respondeu que somente maltratava e offendia aquelles de
quem receiava que o atraiçoassem ou perseguissem
por qualquer forma.
- Perguntado si tem noticia dos tiros dados no guarda policial
Joaquim Romão e Manoel Antonio Leite, resultando
a morte deste, que também foi roubado?
- Respondeu negativamente.
- Perguntou-lhe si não tem noticia de Antonio Correia
Pessoa, que foi morto e roubado em sua própria casa?
- Respondeu saber desse facto, e que foram autores elle
respondente e seus companheiros, Nicoláo, Joaquim
e Januário e que assim procederam porque esse Pessoa
os perseguia e que já lhes havia dado dois tiros.
- Perguntado como foi morto esse homem?
- Respondeu que fora com pancadas e couces.
- Perguntou-lhe si tinha lembrança da morte de Ventura
Ferreira de Oliveira, na Lagoa do Peixe?
- Respondeu que fora morto por seu camarada Nicolau, estando
presente elle interrogado.
- Perguntou-lhe si tem noticia das mortes de Alexandre Felippe
de Lima e de José Francisco Caboclo e quaes os autores?
- Disse, quanto á primeira, nada sabe e quanto á
segunda foi elle interrogado quem matou, porque esse José
Francisco recusava-se a pagar-lhe um dinheiro e também
o queria matar.
- Perguntou si tinha noticia da morte do ????? Antonio,
escravo de José Antonio da Silva, que teve lugar
na fazenda Sobradinho, próximo a esta villa?
- Respondeu que passando elle e alguns companheiros pela
estrada, o dito Silva e outros lhe dirigiram insultos, pelo
que elle respondente para desaffrontar se dera uns tiros
contra aquelles, de um dos quaes resultou a morte do crioulinho.
- Perguntou mais si tem noticia da morte de Antonio Bonifácio
e quem foi o autor?
- Respondeu ter sido elle interrogado, porque esse Bonifácio
andava o preseguindo,pelo que o matou antes que lhe dizesse
o mesmo.
- Perguntou si tem noticia da morte de Theotonio, escravo
de Victorino Alves e qual o motivo? Respondeu que estando
elle e alguns companheiros procurando a vida, o seu camarada
de nome Joaquim matara e dito Theotonio.
- Perguntado si também tem noticia da morte de Alexandrina
de tal, escrava de Manoel Joaquim?
- Respondeu ter sido elle quem a matou na occasião
da morte do seu companheiro Nicoláo.
- Perguntou-lhe mais si tem noticia da morte de Manoel Lima,
que também foi roubado, em uma das estradas desta
villa?
- Respondeu negativamente.
- Perguntou-lhe si tem noticia da facada e pancadas que
soffreu João Gomes de Oliveira, levando as também
duas filhas?
- Respondeu que só lhe deu pancadass com o couce
da arma porue elle sabia do rancho em que se escondiam,
e que as filhas foram somente conduzidas até a beira
do rio Jachype onde elle as deixou.
- Perguntou mais se tem notícia da morte de João
Vicente e qual o motivo?
- Respondeu que esse João Vicente também sabia
do seu rancho, e tendo dado lá uma tropa, entendeu
que foi elle o denunciante, por isso o matou.
- Perguntou-lhe mais si também tem noticia da morte
de Joaquim Romão?
- Respondeu negativamente.
- Perguntou-lhe mais si sabe da morte feita em João
de tal, morador no lugar denominado Papagaio?
- Respondeu ter sido o autor,porque elle sabia, e effectivamente
mostrou, o logar em que tinha o seu rancho e de seus companheiros.
- Perguntou-lhe também si fora o autor da morte de
Alexandre de tal, filho de Antonio Felippe?
- Respondeu que elle e seu companheiro Nicoláo fora
os autores, porque os ditos Alexandre o seu pai Antonio
Felippe constantemente os perseguiam.
- Perguntou-lhe si sabe quem deu as cutiladas no crioulo
Manoel João?
- Respondeu que foram elle e seu companheiro Nicoláo,
porque receiavam desse individuo.
- Perguntou-lhe sei tem noticia dos tiros dados no capitão
Gregório do Nascimento?
- Respondeu que fora elle e seus companheiros, porque Gregório
também os perseguia.
- Perguntou se tem noticia dos tiros dado em Manoel das
Chagas e qual o motivo?
- Respondeu que foi elle por ver que esse homem merecia
e assim quis quebrar-lhe as pernas.
- Perguntou-lhe mais, porque?
- Respondeu que por ter promettido pical-o em postas, assim
elle respondente quis ensinal-o.
- Perguntou si tem noticia do roubo feito a José
Dionysio, morador nas Campas?
- Respondeu que fora feito por seus companheiros Nicolau
e Manoel, estando elle também presente.
- Perguntou o que roubaram nessa occasião?
- Respondeu que três colheres de prata.
- Perguntou-lhe si teve noticia do roubo feito a Vicente
de tal, das Campas?
- Respondeu que fora elle o autor do roubo, tendo somente
roubado uma calça e uma jaqueta.
- Perguntou mais si tem noticia dos cinco tiros dados em
Gregório José de Almeida, no caminho de São
José?
- Respondeu que foram dados por elle e seus companheiros,
por um insulto que o dito lhes fizera.
- Perguntou si além dessas mortes e furtos sobre
que tem respondido, lembra-se de ter feito mais alguma cousa?
- Respondeu que perante o Juiz Municipal já fora
também conduzido e interrogado sobre alguns outros
factos, como fosse o roubo da egreja das Brotas, e os tiros
no Alferes Agostinho, em Joaquim Ferreira da costa e outros
feitos a um homem chamado Sampaio Pinheiro e o vaqueiro
de Aprigio Pires Gomes.
- Perguntou-lhe mais si durante a estada nos matos raptou
algumas mulheres e sei tem lembrança do numero?
- Respondeu ter com effeito raptado algumas em numero de
cinco ou seis, tendo, porém, outras ido voluntariamente
para sua companhia.
- Perguntou si não matou alguma destas raparigas
que levou para a sua companhia?
- Respondeu negativamente.
- Perguntou se em algum encontro, que elle respondente teve
com pessoas que o perseguiam, levou alguns tiros e si tem
lembrança do numero?
- Respondeu ter contado até cem e que felizmente
escapou, tendo levado outros muitos que dahi em diante deixou
de contar.
- Perguntou se não guardou em alguma parte ou em
poder de qualquer pessoa dinheiro e outros objectos que
tivesse tomado nas estradas?
- Respondeu que tudo quanto tinha era somente alguma roupa
e outras miudezas que existiam no rancho em que foi preso,
nada tendo guardado em parte alguma.
E nada mais respondeu nem lhe foi perguntado.
Por esta forma houve o Juiz por findo este interrogatório,
mandando lavrar este termo, em que assignou com o curador
do réo, depois de lido por mim Manoel José
de Araújo Patrício, escrivão que escrivi
- Innocencio Marques de Araújo Góes - O curador,
Manoel Pereira de Azevedo.
Do interrogatório que acabamos de transcrever, vê-se
quanto foi flagellada a Feira de Sant'Anna, principalmente
depois do anno de 1840, quando o celebre salteador organisou
sua quadrilha.
A prisão de Lucas teve os seus prodromos a 23 de
Janeiro de 1848.
Narremos o facto que deve ter alguma importância para
os nossos leitores.
Achando-se foragido o official de justiça do fórum
feirense, de nome José Pereira Cazumbá, porque
praticara um homicídio, pensou de obter o indulto,
offerecendo-se para prender o salteador Lucas. Acceita a
proposta pelas autoridades com o accrescimo de que o governo
compromettia-se a dar a Cazumbá, além do indulto
mais quatro contos em dinheiro, foram affixados editaes
neste sentido nos lugares mais públicos da Feira
e publicados pela imprensa.
Na capella de N. S. dos Humildes, três legoas ao Sul
da Feira de Sant'Anna, realisou-se uma festa, e para ella
dirigiu se Lucas em procura, talvez, de alguma presa. Cazumbá,
acompanhado de Manoel Gomes, montou guarda no lugar chamado
Pedra do Descanso, por onde, fatalmente, Lucas teria que
passar de volta da festa.
Na segunda-feira 24, cerca de 6 horas da manhã, surge
o salteador felizmente desacompanhado. Manoel Gomes esmorece
e treme, caindo-lhe a arma das mãos; mas na emboscada
detona uma outra arma, cujo projectil aloja se certeiro
no braço do salteador - foi á arma de Cazumbá,
o official de justiça pronunciado que necessitava
de liberdade.
Passada a primeira impressão, causada pelo susto
de que o salteador não fosse altacal-os em seu esconderijo,
sahiram elles e foram examinar o lugar onde estava Lucas
quando recebeu o tiro. O salteador havia de facto desapparecido,
mas ali se achava o clavinote de seu uso e um rasteiro de
sangue pela estrada afora. Nessas averiguações
estavam os dois, Cazumbá e Gomes, quando por ali
passou o dr. Leovegildo de Amorim Filgueiras, juiz municipal
e delegado do Termo, acompanhado de outros para effectuarem
uma medição de terás.
Sciente de tudo, a dita autoridade poz a força publica
em movimento para a captura do bandido, cujo paradeiro haviam
de descobrir pelos vestígios de sangue, deixados
na estrada e no mato. Infelizmente assim não aconteceu
porque a força de policia, os Inspectores de Quarteirão
e o povo que os acompanhava, andaram todo dia e nos seguintes
debalde, porque os vestígios desappareceram. Quando
o desanimo já começava a invadir aquelle troço
de homens ávidos pela prisão do malvado crioulo,
surgiu entre elles uma lembrança providencial. Benedicto
da Tapera, suspeitado como um de seus confidentes e intermediários,
havia de lhes dizer qualquer cousa. Sem demora seguiram
para a casa do mesmo e gratificaram-n'o, ameaçando-o
ao mesmo tempo de matal-o se não disesse onde estava
Lucas. Nestas condições, Benedicto confessou
o paradeiro do salteador.
Na manha do dia 28 de Janeiro, o bandido, que tanto aterrorisou
as populações daquella zona no período
de vinte annos, estava entregue á justiça
para responder por tantos crimes que praticara. Condemnado
á força pelo tribunal do Jury que se reuniu
a 1º de Março do mesmo anno, foi executado a
26 de Setembro de 1849, no Campo do Gado, em presença
de uma multidão que exultava pelo goso da tranqüilidade
aspirada com o desapparecimento do bandido que a ameaçara
por tantos annos.
A's 10 horas da manhã, daquelle dia, foi o salteador
retirado da prisão e revestido de uma túnica
branca. Posto o baraço ao pescoço, em cuja
extremidade segurava o carrasco, começou a percorrer
as ruas da Feira, ladeado por dois franciscanos e o vigário
da Freguezia padre José Tavares da Silva, e acompanhado
das autoridades locaes, força publica e enorme massa
popular da villa e de muitos logares que viera para esse
fim. De espaço a espaço paravam, os franciscanos
resavam, os sinos dobravam e o official de justiça
Marcellino Marques da Silva apregoava em altas vozes a morte
do condemnado.
Ao meio dia chegou o cortejo fúnebre ao Campo do
Gado, lugar em que estava armado o instrumento do supplicio.
Guindado ao plano superior da força, acompanhado
de seu carrasco, Joaquim Correia, rapaz branco de 20 annos
de edade, que espontaneamente se offerecera para aquelle
reprovável mister, por ter o réprobo assassinado
barbaramente seu pai Francisco Correia, elle, Lucas, acenando
com a mão que lhe restava, pois a outra tinha sido
operada em conseqüência dos tiros recebidos quando
foi preso, disse: "Espere!"
Divagou o olhar acovardado por aquella multidão,
e com voz fraca e arrastada declinou estas ultimas palavras:
"Sei que muitos dentre vós estão contentes
de me verem assim acabar; eu peço perdão a
Deus e a todos que perdoem". Dito isto o carrasco atira-o
ao espaço: desce pela corda; arrima-se aos hombro
do condemnado e mantém-lhe a bocca fechada. Os membros
do suppliciado controhem-se, seguindo-se a mieção
e o exhalar do ultimo suspiro.
Morto! Foi o brado uniforme, abafado e fúnebre sahido
dos lábios da multidão. Effectivamente o condemnado
tornara-se cadáver; a Feira exaltava pela volta de
sua tranqüilidade; a justiça desafrontara-se,
e a sociedade; quanto a nós que escrevemos estas
linhas desapaixonadamente, devia ter se enlutado por esse
assassinato cobarde praticado na pessoa de um facínora,
é verdade, mas no entanto criminoso porque a sociedade
não soube educal-o.
Os textos
acima foram extraidos do livro "Municípios da
Bahia" de autoria de Guimarães Covas em 1909.