Feira de Santana - Bahia - Brasil  

Biografia de Georgina de Mello Lima Erismann - (27.01.1893 a 23.02.1940)

Poetisa, declamadora, musicista, compositora, professora, pianista. Natural de Feira de Santana - Bahia, filha de Camilo de Mello Lima e Leolinda Bacelar de Mello Lima. Nascida em 27 de janeiro de 1893. Recebeu o nome na pia batismal de Georgina de Mello Lima. Seus primeiros ensinamentos educacionais e musicais foram com a mãe Leolinda Bacelar, que era pianista e professora do município. Matriculada em uma escola complementar, já no início das primeiras aulas, demonstrava o dom artístico com ensaios de alguns poemas, e nos intervalos das aulas juntamente com as colegas, fazia encenações teatrais. Georgina, aos poucos ia desenvolvendo a sua parte intelectual. O seu pai, Camilo Lima, colaborava com algumas crônicas publicadas nos jornais da ciadade, e era proprietário da Pensão Universal, hoje, prédio do Mandacaru, na Rua Conselheiro Franco, onde a família residia.

Georgina, alimentando um sonho de criança e o desejo de tornar-se professora de música e ter a própria escola, dedicava no aprimoramento da arte, sua mãe Leolinda, notando a sua evolução cultural, resolve matriculá-la no Instituto de Música da Bahia, iniciando-se no piano, com a professora Maria da Glória Ferraro. No Conservatório de Música, foi aluna do professor Silvio Deolindo Fróes. Tendo um desenvolvimento excepcional, resolve, juntamente com Zulmira Silvany e Georgina Silva Lima, fundar a Sociedade Auxiliadora do Conservatório de Música, onde ministram aulas de piano e canto. Para aprimorar ainda mais os conhecimentos, vai ao Rio de Janeiro, permanecendo por um período razoável, estudando harmonia e composição com o professor Francisco Nunes, com quem desenvolve, com maestria, todo o aprendizado. Com o seu envolvimento nas atividades artístico culturais, recebe elogios da imprensa carioca: "Intérprete conscienciosa dos autores clássicos, a pianista patrícia encanta e fascina aos que a ouvem, dando a certeza de que poderá ser com o estudo constante, uma digna êmula dos mais reputados artistas, tais como Guiomar Novaes, Antonieta Rudge, Branca Bilhar e outras"...

De retorno à Feira de Santana, realiza várias apresentações lítero-musicais no Cine Teatro Santana, em benefício do Clube Coreográfico Dois de Julho, Asilo Nossa Senhora de Lourdes, Albergue Noturno, Igreja Senhor dos Passos e em beneficência por cinco criancinhas órfãs. O Teatro Santana foi palco de boas exibições de Georgina Erismann, com a criação do programa "lítero musical", sempre apresentado às quartas-feiras, com as participações de: João Barbosa de Carvalho, Rubina Andrade, Idalva Nascimento, Martiniano Carneiro, Euclides Mascarenhas e o garoto Frederico Camelier.

Georgina é também requisitada para dar aulas de piano em domicílio, e, observando tal interesse, resolve abrir um curso em sua residência.

A Pensão Universal, era pousada de viajantes, vendedores, comerciantes e daqueles que vinham a Feira de Santana. Georgina Erismann sempre tocava ao piano, despertando a atenção daqueles que se hospedara, sendo que, um desses viajantes era o engenheiro Walter Tudy Erismann, que demonstrou admiração e entusiasmo por Georgina, iniciando daí um namoro, que posteriormente consolidou-se com o matrimônio realizado no dia 08 de setembro de 1926, em oratório particular, tendo como celebrante o Padre Mário Bahiense Pessoa.

Formada em magistério, foi nomeada professora de música em 1927 para a Escola Normal Rural de Feira de Santana (CUCA). Na Escola Normal, forma uma coral composto de alunas, faz lançamento do Hinário, e em 1928, apresenta o Hino à Feira, que é cantado pela primeira vez. Inspirada como sempre, Georgina Erismann, continua produzindo seus poemas, hinos, canções e crônicas, algumas dessas obras são publicadas em jornais locais e da capital. O reconhecimento e desenvolvimento cultural, vão aumentando cada vez mais o seu prestígio nos meios culturais da Bahia e do Rio de Janeiro.

Algumas obras de sua produção; poemas: Adeus, Adeus Bahia, A Fuga das Andorinhas, Balão, Chuva, Elegia, Exortação, Inquietude, Mestra, Quaresma, Rede, Solicitude, Zabumba, etc. Hinos: A Bandeira (em parceria com Gastão Guimarães), À Feira, Ao Trabalho, Ao Três de Maio (em parceria com Maria Luiza de Souza Alves), Canção Patriótica e Redenção (Para Treze de Maio). Suas composições são diversificadas: fox trote, canção, valsas, tango de salão, tango argentino, marcha carnavalesca: Ângelus, Campânula, Cantigas ao Luar, Garota, Mártir, Mestiça, Moreninha, Noiva, Saci Pererê, Sayonara, Seresta, Sombra, Tropeiro, etc. Duas de suas composições foram gravadas por Jorge Fernandes e Olga Praguer Coelho. Moreninha e Seresta, pelas gravadoras Columbia e RCA Victor. Os seus poemas foram declamados pela artista carioca Nene Barronkel.

Georgina Erismann, é convidada e faz parte como irmã protetora das obras da Igreja Nossa Senhora dos Remédios. É representante no Estado da Bahia, da Revista Brasil Feminino, e colaboradora com algumas publicações de sua obra.

A sua única irmã de nome Zilda, a qual estimava e era sua confidente, falece prematuramente em março de 1932, e o seu pai Camilo de Mello Lima, em novembro do mesmo ano. Apesar do sofrimento familiar, Georgina não é impedida de continuar produzindo. As viagens são constantes em sua vida, ora em Salvador, ora no Rio de Janeiro, onde participa dos movimentos artísticos culturais, despertando interesse de alguns cantores populares da época, a exemplo de: Jorge Fernandes, Olga Praguer Coelho, Cristina Maristany, Marieta Souza, Julieta Teles, etc.

Nas suas viagens ao Rio de Janeiro, participa de algumas apresentações com os artistas citados. Retornando à Bahia, vem em companhia do cantor Jorge Fernandes, que tornou-se amigo da família. Em Salvador, fizeram várias apresentações, sendo algumas com a Orquestra Laborda, na Associação dos Empregados do Comércio, Clube Baiano de Tênis, Clube Carnavalesco Fantoche da Bahia e na PRA-4 (hoje, Rádio Sociedade da Bahia). Uma de suas apresentações foi em benefício do "Preventário do Leprosário".

As apresentações de Georgina Erismann e Jorge Fernandes, foram logradas de grande êxito. Georgina por sua vez, considerada uma pianista exímia, compositora e poetisa, com brilhantes atuações, tendo se revelado na atualidade, o reconhecimento pelo meios artísticos da Bahia, como também do Rio de Janeiro (na época sede do Governo Federal). A sua projeção, fez com que, em agosto de 1936, fosse indicada pelo Governador do Estado da Bahia, Capitão Juraci Magalhães, para representar oficialmente a Bahia, na grande Feira Artística, Industrial e Comercial, realizada na cidade de Campinas, São Paulo, em homenagem ao centenário de nascimento do grande Maestro Carlos Gomes.

Viajando a bordo do navio "Itagiba", com destino ao Porto de Santos, se deslocando até a cidade de Campinas, acompanhada do esposo Walter Tudy Erismann. Na bagagem levou sua produção artística, produtos baianos, trabalhos artísticos e regionais, produções musicais e literárias.

Nas suas apresentações, na cidade de Campinas, é Georgina Erismann, aplaudida pelo seu talento, ela entusiasmada com o carinho e as manifestações do alto apreço de toda a comunidade, cujas simpatias de logo conquistou. Várias apresentações foram realizadas na praça, e Georgina recebendo as eloquentes demonstrações de admiração e carinho do povo e da imprensa campineira. Sendo convidada, realiza uma apresentação através da PRC-9 (hoje, Rádio Educadora de Campinas), em saudação a cidade que acolheu, faz declamações de alguns poemas seus e com o acompanhamento da orquestra, executa algumas composições ao piano. No Teatro Municipal de Campinas, volta Georgina Erismann a repetir o sucesso do seu talento com mais outra exibição, onde é bastante aplaudida. Os órgãos de imprensa local, a denominam de "Imperatriz da Inteligência Baiana". Convidada pelo casal Alipio Ramos e Yvone Daumerie, vai a Santo Amaro, outra cidade paulista, onde apresenta um recital. Para finalizar sua excursão pelo Estado de São Paulo, é convidada pelo Círculo Italiano na capital, para prestar uma homenagem a Associação Paulista de Imprensa, onde Eurico Góes faz sua apresentação. A imprensa faz registro das suas atividades artísticas e a elogia: "como uma pianista de mérito, inspirada compositora, cultora da música regional e poeta de valor".

Na Rádio Educadora de São Paulo, além das entrevistas, houve também apresentações artísticas, assim como, o recebimento de uma Moção de congratulações enviada pela Câmara Municipal de Feira de Santana, assinada pelo vereador Àureo de Oliveira Filho, em novembro de 1936, por tão bem dignificar e representar a Bahia na grande Festa Cultural Artística.

De volta a Bahia, já em Feira de Santana, inaugura a Escola de Música, anexa ao Instituto de Música da Bahia, com uma solenidade muito bonita, contando com as presenças de autoridades e da comunidade feirense, onde Georgina Erismann assumiu como diretora técnica, tendo como demais professores, Clarinda Campos, Ursula Martins, Carmem Souza, Rubina Pedreira, Estevão Moura e Gerson Simões Dias.
Após dois anos à frente da Escola de Música de Feira de Santana, com desempenho excepcional, aproveitando da realização da Festa Lítero Musical de 01 de agosto, Georgina Erismann, faz um discurso de despedida.

A família se desfaz da Pensão Universal. Georgina, Walter e Leolinda Bacelar, vão morar definitivamente no Rio de Janeiro, onde fixaram residência à Rua Visconde de Santa Isabel n.º 43-A. Georgina dar continuidade ao seu trabalho artístico, fazendo apresentações e publicando as suas obras em jornais locais. Em 07 de fevereiro de 1940, publica a sua última obra intitulada de "Solicitude", naturalmente de forma sensitiva, que dentre todos os seus poemas, a mais singela que Georgina Erismann encontrou para se despedir do nosso convívio.

Dia 23 de fevereiro de 1940, Georgina tem um mal súbito e falece em sua residência, onde o corpo é velado. O casal não tivera filhos. O sepultamento ocorreu no dia 24, no Cemitério São João Batista, Rio de Janeiro.

Em homenagem ao seu nome, em março de 1940, a Escola de Música de Feira de Santana, passou a denominar-se de Escola de Música Georgina Erismann. Existe uma Rua Georgina Erismann, nas proximidades da Estação Rodoviária. Escola de 1º Grau Georgina de Mello Erismann, no bairro Jardim Acácia. Na Rua Santos Dumont, funcionava a Escola de Balé Georgina Erismann.

Houve uma apresentação no Teatro do CUCA, no dia 07 de dezembro de 1999, Tributo a Georgina Erismann (Concerto de cordas pela Orquestra Sinfônica da Bahia), patrocinado pela Construções e Empreendimentos M. Alves e Imobiliária Nova Feira.


A Biografia acima foi fornecida por CARLOS ALBERTO ALMEIDA MELLO - Professor e pesquisador.



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